DF não cumpre meta de crianças em creches após dez anos do Marco Legal da Primeira Infância
- 09/05/2026

Centro de Educação da Primeira Infância em Samambaia, no Distrito Federal Agência Brasília/Tony Winston Neste ano, o Marco Legal da Primeira Infância, elaborado pelo governo federal, completou 10 anos. A missão é proteger os direitos das crianças brasileiras de até 6 anos. Dados recentes mostram que, no Distrito Federal, um dos direitos que ainda precisa avançar é o da educação. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE, feita em 2024, apenas 38,6% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches. A meta era que essa taxa chegasse a 60% em 2024, segundo Plano Distrital de Educação (PDE). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Educação do DF, que afirmou estar avançando na expansão da rede pública de educação infantil em regiões com maior demanda por vagas (veja íntegra abaixo). Gráfico da taxa de atendimento de crianças de 0 a 3 anos na Educação Infantil por UF (2024) Reprodução/ Todos Pela Educação. O Marco Legal de 2016 definiu a educação infantil como uma das áreas prioritárias para as políticas públicas voltadas à primeira infância e reforçou o compromisso estabelecido pelo Plano Nacional de Educação (PNE) dois anos antes: ampliar a oferta de creches para atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos até o final de sua vigência, em 2024. No DF, o Plano Distrital de Educação (PDE) elevou a meta nacional para atender no mínimo 60% dessas crianças, no mesmo período. Esse objetivo foi estipulado como Meta 1 do PDE. Entretanto, os dados coletados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) dois anos atrás indicam que a região ainda está quase 20 pontos percentuais abaixo dessa meta. A psicopedagoga Aline Brito explica que não ter acesso à educação básica nessa idade causa prejuízos ao desenvolvimento das crianças. Dentre os déficits, ela destaca maior dificuldade em: sustentar a atenção; participar de atividades coletivas; lidar com frustrações; comunicar ideias; e acompanhar a rotina da sala. "Nos primeiros anos de vida, o cérebro estabelece conexões em uma velocidade impressionante. É nesse período que a criança desenvolve linguagem, aprende a se relacionar, amplia repertório, constrói autonomia e começa a compreender o mundo à sua volta", afirma a especialista. O problema é maior para pessoas de menor renda Creches no DF: mesmo com vagas, crianças ficam fora do sistema A ausência de vagas públicas suficientes não pesa igual para todas as famílias do DF. A Síntese de Indicadores Sociais 2024, publicada pelo IBGE, revela que o Distrito Federal e o Rio de Janeiro lideram o país em dependência da rede privada: 38,3% das matrículas de crianças de 0 a 3 anos estão em instituições privadas. Na prática, isso significa que acesso à creche no DF é, em grande medida, uma questão de renda. Quem pode pagar, encontra vaga. Quem não pode, enfrenta a fila da rede pública — que é de 4,25 mil crianças, segundo dados da Secretaria de Educação divulgados em janeiro deste ano. A psicopedagoga Aline Brito aponta a dimensão desse desequilíbrio. "Quando duas crianças chegam juntas ao ensino fundamental, mas apenas uma teve acesso a essas oportunidades nos primeiros anos, elas não estão começando exatamente do mesmo lugar. E a escola sente isso", afirma. "Muitas vezes, a criança que teve menos acesso precisa primeiro construir bases que deveriam ter sido fortalecidas anteriormente para depois avançar em aprendizagens mais formais", acrescenta. O que diz a Secretaria de Educação do DF '"A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informa que, atualmente, o número de crianças inscritas na fila de espera por vagas em creches na rede pública do DF é de 4.252, considerando as turmas de Berçário I, Berçário II, Maternal I e Maternal II. Trata-se de um dado dinâmico, atualizado constantemente conforme novas inscrições, convocações e efetivação de matrículas. No momento, as Coordenações Regionais de Ensino (CREs) somam 4.990 vagas disponibilizadas para atendimento da educação infantil, diante de uma demanda reprimida de 4.252 crianças em espera. As Coordenações Regionais de Ensino (CREs) e suas demandas reprimidas no momento: Brazlândia: 1 criança em espera, 123 vagas disponibilizadas Núcleo Bandeirante: 153 crianças em espera, 212 vagas disponibilizadas Recanto das Emas: 162 crianças em espera, 225 vagas disponibilizadas Gama: 172 crianças em espera, 246 vagas disponibilizadas Sobradinho: 183 crianças em espera, 351 vagas disponibilizadas Samambaia: 243 crianças em espera, 635 vagas disponibilizadas Paranoá: 265 crianças em espera, 50 vagas disponibilizadas Santa Maria: 271 crianças em espera, 589 vagas disponibilizadas Taguatinga: 270 crianças em espera, 1.165 vagas disponibilizadas Guará: 442 crianças em espera, 35 vagas disponibilizadas Planaltina: 479 crianças em espera, 293 vagas disponibilizadas Plano Piloto: 479 crianças em espera, 489 vagas disponibilizadas São Sebastião: 537 crianças em espera, 11 vagas disponibilizadas Ceilândia: 600 crianças em espera, 566 vagas disponibilizadas Entre as etapas atendidas, o maior volume de procura concentra-se no Berçário II, com 2.371 crianças aguardando vaga, seguido do Berçário I, com 1.291 inscrições em espera. Apesar da elevada demanda, o Distrito Federal vem ampliando significativamente a oferta de vagas na educação infantil. Em 2025, a rede iniciou o ano com 34.970 vagas ofertadas e 31.987 crianças matriculadas, conforme dados do sistema i-Educar. Ao final do exercício, a capacidade total foi ampliada para 39.928 vagas, com 36.673 matrículas efetivadas, de acordo com dados consolidados do CensoDF. Esse avanço foi impulsionado, principalmente, pela entrega de 11 novos Centros de Educação da Primeira Infância (CEPIs), que passaram a operar plenamente em 2025, viabilizando 2.204 novas vagas. Além disso, a ampliação do Programa de Benefício Educacional Social (PBES) contribuiu com outras 2.278 vagas para atendimento das crianças da educação infantil. Sobre os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024, que apontam atendimento de 38,6% das crianças de 0 a 3 anos em creches, esclarecemos que esta é a informação estatística mais recente divulgada pelo IBGE para essa faixa etária. A SEEDF destaca, contudo, que vem realizando esforços contínuos para ampliar o acesso e reduzir a demanda reprimida, especialmente nas regiões de maior crescimento populacional. Além das ações já implementadas, a SEEDF segue avançando na expansão da rede pública de educação infantil em regiões com maior demanda por vagas. No Paranoá e no Guará, encontram-se em execução obras para construção de novos Centros de Educação da Primeira Infância (CEPIs), com previsão de conclusão no segundo semestre de 2026. Em Planaltina, será iniciada a elaboração do projeto para construção de um CEPI no Vale do Amanhecer. Já em São Sebastião, a Secretaria conta com projeto concluído para futura construção de um CEPI na Quadra 303, estando atualmente em fase de conferência da planilha orçamentária para instrução do processo licitatório. Em Ceilândia, está em fase de contratação a obra para construção de um CEPI na QNP 05. Os cronogramas de entrega das futuras unidades serão definidos conforme o avanço das etapas técnicas e administrativas de cada empreendimento. Nesse contexto, a SEEDF segue atuando continuamente na ampliação da oferta de vagas e no fortalecimento das políticas públicas voltadas à educação infantil, especialmente nas regiões de maior crescimento populacional e maior demanda por atendimento. Permanecemos à disposição para eventuais esclarecimentos adicionais." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
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